O Código nunca decifrado na II Guerra
01/08/2018 10:00
O Código Navajo foi um dos maiores segredos mais bem guardados da II Guerra Mundial, sendo que, somente no ano de 1968 que os Estados Unidos liberaram essa informação.
Enquanto na Inglaterra tentavam decifrar a Enigma dos Alemães, os Americanos decifravam a Purple dos Japoneses.

Essas máquinas eram utilizadas para criptografar, fazendo o uso de mecanismos de geração de palavras as quais, inicialmente, não faziam nenhum sentido caso não fossem lidas com a chave da criptografia.

Em tempos de guerra, as comunicações seguras são fundamentais. Mas, para as Forças Armadas dos Estados Unidos, a segurança dessas mensagens se tornou um problema desconcertante. Os criptógrafos japoneses, muitos deles educados nos EUA e fluentes em inglês padrão e coloquial, eram incrivelmente hábeis em quebrar códigos. Em virtude disso, as forças do eixo geralmente sabiam sobre os planos de batalha americanos antecipadamente.
Com esse problema recorrente, uma resposta improvável veio. Philip Johnston, um engenheiro civil que morava em Los Angeles, era filho de missionários que haviam criado ele na Reserva Navajo, que se estende por todo o Novo México e Arizona. Johnston cresceu falando o idioma Navajo, um idioma único para os residentes da Reserva, sendo raramente usando em outro lugar. Dependendo da pronúncia, uma palavra Navajo pode ter quatro significados distintos. As formas verbais do Navajo são especialmente complexas e as pessoas de fora geralmente acham que a linguagem é incompreensível e comparam como som do barulho do trem de carga, do barulho de um dreno. No ano de 1942, não havia o alfabeto Navajo

Philip Johnston
Johnston que serviu na Força Expedicionária Americana durante a Primeira Guerra, ao longo dos seus 50 anos, era velho demais para lutar na Segunda Guerra, mas ele queria servir. Então, após ler um artigo sobre segurança militar, teve a ideia de basear um código secreto no Navajo. Ele então visitou um acampamento do Corpo de Fuzileiros Navais perto de San Diego e, em uma reunião com o tenente-coronel James E. Jones, Johnson descreveu como um código baseado na língua navajo frustraria os decifradores de códigos inimigos.

De volta à Los Angeles, Johnston recrutou quatro navajos bilíngues e, no dia 28 de fevereiro, foram para o acampamento realizar uma demonstração para os oficiais da Marinha. Dois navajos recebiam uma ordem militar e eram designados para uma sala da qual deveriam transmitir a mensagem em navajo. Retraduzida para o inglês, a mensagem recapitulou com precisão a ordem dada, surpreendendo os oficiais da Marinha.

Diante dessa demonstração, o major general Clayton Vogel solicitou o recrutamento imediato de 200 jovens e instruídos navajos como especialistas em comunicações marítimas. A sede somente autorizou 30, pensando que isso era suficiente para provar a teoria da Johnson.
Os Navajos foram designados para criar um código em seu idioma que desconcertasse os ouvintes inimigos. As palavras desse código tinham que ser curtas e facilmente lembradas e aprendidas. Dessa forma, foi desenvolvida um código fonético de duas partes. Um alfabeto fonético de 26 letras usou nomes Navajo para 18 animais ou pássaros, mais as palavras ICE (letra i), NUT (n), QUIVER (Q), UTE (u), VICTOR (v), CRUZ (x), YUCCA (y) e ZINCO (z). A segunda parte era um vocabulário de inglês de 211 palavras com sinônimos Navajo.
Exemplos:
besh-lo ("peixe de ferro" = submarino)
dah-he-tih-hi ("beija-flor" = avião de caça)
tacheene ("terra vermelha" = batalhão)
nakia ("mexicano" = companhia)
lo-tso-yazzie ("pequena baleia" = cruzador)
e ca-lo ("tubarão" = destroyer).
Dessa forma, os navajos tornaram-se praticamente indispensáveis, servindo com todas as seis divisões de fuzileiros navais no Pacífico e com o Marine Raider e as unidades de pára-quedas, ganhando elogios por seu desempenho nas Ilhas Salomão e Marianas e em Peleliu e Iwo Jima.
Em Iwo Jima, o Major Howard Conner disse; "Toda a operação foi dirigida pelo código navajo (...) Durante dois dias que se seguiam aos embarques iniciais,eu tinha seis redes de rádio Navajo trabalhando o tempo todo. Eles enviaram e receberam mais de 800 mensagens sem erro. Se não fosse pelos Navajo, os fuzileiros nunca teriam levado Iwo Jima".

Depois da Guerra, um ex-general japonês reconheceu que as transmissões do Navajo haviam confundido os criptógrafos mais qualificados do Japão. Um entrevistador informou-o de que o código era baseado em uma língua indígena americana. O ex.general agradeceu e disse qu era o enigma que pensou que nunca seria resolvido.
No ano de 2014, no dia 04 de junho, falecia o último tradutor do código Navajo que auxiliou o exército americano na Segunda Guerra, aos 93 anos. Chester Nez foi recrutado pelo próprio Philip Johnston. Após seu serviço militar, Chester trabalhou como pintor por 25 anos.


Em 2011 escreveu o livro de memórias Code Talker: The First and Only Memoir by One Of the Original Navajo Code Talkers of WWII.

No ano de 2002, foi lançando o filme Windtalkers (Códigos de Guerra), baseado na história dos Navajos, na criação do código baseado em sua língua e na sua colaboração heróica para a vitória dos Estados Unidos sobre os japoneses em 45.

O elenco conta com Nicholas Cage, Adam Beach (Law & Order), Mark Ruffalo (Vingadores), Brian Van Holt (SWAT) e Martin Henderson (House, Greys Anatomy).
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Por Juliana Hembecker Hubert





