A maquiagem nas guerras
16/10/2020 10:00
Antes da Primeira Guerra, a maquiagem era encontrada somente nas atrizes ou em trabalhadores de rua um tanto espalhafatosos. Porém, com o advento da Guerra, uma mudança cultural estava ocorrendo. Enquanto os homens estavam indo para a frente de batalha, as mulheres começaram a assumir postos antes somente ocupado por homens, como carteiros e motoristas de bonde. Diante disso, houve um aumento nos anúncios de maquiagem para reforçar o dever de parecer feminina.
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Helena Rubinstein, a maior produtora de maquiagem na época, criava anúncios que ensinavam as mulheres a manter a sua aparência. Não surpreendentemente, Rubinstein relatou um aumento nas vendas de cremes para o rosto quando as mulheres de classe média começaram a se voluntariar como enfermeiras na linha de frente.
Assim como na Primeira Guerra Mundial, na Segunda Guerra Mundial a maquiagem foi novamente vista como um dever patriótico. O dinheiro dos impostos era canalizado para anúncios de propaganda que encorajavam as mulheres a passar batom vermelho e pó facial para fazer sua parte na luta contra Hitler, pois ele não gostava de mulheres maquiadas.

Por causa disso, as marcas de maquiagem iniciaram campanhas patrióticas e reformularam completamente seus produtos para o esforço de guerra. Tangee, uma das maiores fabricantes de batom da época, começou uma campanha chamada "Guerra, Mulheres e Batom".
Elizabeth Arden criou um kit de maquiagem para a American Marine Corps Women's Reserve, com um batom vermelho que combinava com seus uniformes.
Helena Rubinstein fez o cada vez mais popular batom 'Regimental Red', e os tons que surgiram durante esse período deram um toque nacionalista, com nomes como Fighting Red, Commando e Jeep Red.
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A maquiagem era vista como essencial para fazer as mulheres enfrentarem a mudança de papéis, assim como na I Guerra. Elas estavam prendendo os cabelos por baixo de lenços e indo para as fábricas para desempenhar funções que eram tradicionalmente reservadas aos homens, e então a maquiagem foi vista como uma necessidade para ajudar ma se sentirem mais femininas. Tanto é verdade que as fábricas forneciam às mulheres seus próprios batons nos vestiários, como forma de aumentar o moral.

As maquiagens e os batons também ajudaram a trazer de volta uma sensação de normalidade que foi destruída com a guerra. O governo britânico enfatizou a mensagem às mulheres de que estar bonita era uma das principais formas de contribuir para o esforço de guerra.
Porém, assim como outros produtos, as maquiagens sofreram com o racioamento e a escassez.
Dessa forma, as mulheres encontraram alternativas, as mulheres acumularam o que restava de seu estoque de cosméticos do pré-guerra, derretendo as protuberâncias do batom em um esforço para remodelá-los em um tubo utilizável. E quando o estoque acabava, o batom poderia ser substituído por uma tinta para lábios de beterraba, polidor de botas usado como rímel, e pó à base de giz e base de margarina.
Veja o guia de maquiagem dos anos 40 AQUI

A maquiagem teve seu papel ao longo da história, seja na I Guerra, onde foi usada como um privilégio dentro das tendas do hospital para elevar o moral.
Na Segunda Guerra Mundial, foi usada como uma forma de as mulheres lidarem com tempos turbulentos e incertos, e durante a Guerra Fria foi usado como uma forma de mostrar que o comunismo estava aos trancos e barrancos atrás do consumismo.
Fontes: warhawkairmuseum, eng410wwiilit, blitzkriegbaby,theculturetrip, bustle
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Por Juliana Hembecker Hubert





